O que dizem os think tanks e redes
O que dizem os think tanks e redes (levantamento de 6 de novembro)
Levantamento de 25 instituições do espaço UNFCCC (relatório completo à parte). O consenso é que Antalya não produzirá um grande resultado negociado e será julgada por arquitetura, não por ambição: as disputas são de forma institucional em cada trilha. O que importa é onde divergem.
Lacuna relevante: nenhum think tank brasileiro (Observatório do Clima, Talanoa, iCS) publicou análise datada de outubro–novembro sobre a COP31, e ninguém avaliou o Climate Implementation Bridge além de descrições de uma linha. A interpretação dos roteiros brasileiros em Antalya tende a ser feita por IDDRI e Carbon Brief.
Os think tanks, redes da sociedade civil e instituições de finanças e ciência que acompanham a UNFCCC convergem num diagnóstico: a COP31 (Antalya, 9–20 de novembro de 2026) não produzirá um grande resultado negociado e deve ser julgada por três testes — se a meta de eletrificação "35 by 35" vira um pacote rastreável e ancorado em renováveis, se surge um caminho de entrega para os US$ 300 bi do NCQG e para a triplicação do financiamento de adaptação, e se o Mecanismo de Transição Justa (JTM/BAM) ganha funções, governança e um comitê transitório que o torne operacional até a COP32 em Adis Abeba. As divergências reais são poucas mas importantes: WRI diz que "clean power should not be a prerequisite to increasing electrification", enquanto Germanwatch, Climate Action Tracker, Wuppertal e Greenpeace (que fixa um piso de 75% de renováveis em 2035) sustentam que, sem condicionante fóssil, a meta vira "cavalo de Troia"; o Grupo Africano quer um órgão da CMA "non-negotiable" para o JTM e um item de agenda sobre adaptação, enquanto o LDC Group acha o item inviável e o LMDC quer uma "cooperation network" sem obrigações; e o Sul usa os números da OCDE (US$ 136,7 bi em 2024, 67% em empréstimos, 7% para países de baixa renda) como prova de não entrega, não de cumprimento. O quadro numérico mais duro está em perdas e danos (FRLD com US$ 486 mi recebidos contra US$ 2,8 bi solicitados) e na ciência (IPCC-65 fracassou pela sexta vez em acordar o cronograma do AR7 e nem aprovou o orçamento). Os mapas do caminho brasileiros (TAFF e florestas, 3 de novembro) são tratados por IDDRI, Carbon Brief e Germanwatch como insumo útil e voluntário cujo valor depende de um gancho procedimental na COP31 que os encaminhe ao GST2. A maior lacuna de análise é brasileira e sulista: nenhuma publicação de outubro–novembro de 2026 sobre a COP31 foi encontrada do Observatório do Clima, Talanoa, iCS, Power Shift Africa, CEEW, CAN International, ITUC ou WWF.
O critério de sucesso migrou de texto negociado para "o que os países farão de diferente"
Todas as instituições do Norte partem da premissa de que Antalya é uma "implementation COP" sem decisão emblemática. WRI escreve que a COP31 "is not expected to produce a landmark negotiated outcome" e Ani Dasgupta resume o teste: "COP31 shouldn't be judged by new pledges alone, but by what countries agree to do differently" (WRI). IDDRI (Marta Torres Gunfaus, 5 nov) pergunta se a conferência pode "accelerate action on the ground" e chama a eletrificação de "the central political test", acrescentando que "a target alone will not deliver this transformation" (IDDRI). O que diferencia as instituições é o grau de prescrição sobre o texto formal. As alemãs são as mais exigentes: Germanwatch publicou em 3 de novembro o único scorecard explícito, com três critérios — "Visible implementation of the Paris Agreement", "Strengthening the UNFCCC process" (Action Agenda com "clear responsibilities, timelines, and monitoring", desenho do GST2, "signal willingness to evolve the UNFCCC") e "Mobilising adequate finance" — e propõe "a group of willing states to pioneer reform if full consensus is not possible" (Germanwatch; hub COP31). O Wuppertal Institut (Fischedick e Obergassel, 5 nov) quer a meta de 35% "anchor[ed]" nos resultados formais e alerta que a transição para longe dos fósseis "increasingly been pushed into the background" (Wuppertal). WRI e IDDRI, ao contrário, aceitam que o resultado principal venha da Action Agenda e de sinais políticos — uma diferença de ênfase, não de posição.
O ponto mais novo e menos consensual é a avaliação da copresidência. ODI (Sarah Colenbrander) chama a dupla Austrália–Türkiye de "an awkward alliance", nota que mais de dois terços da eletricidade dos dois países ainda vem de fósseis (contra 35% na América Latina e menos de 30% na UE) e condiciona o sucesso a "the host countries quickly agreeing a shared vision" com cadeia de comando clara (ODI). Germanwatch descreve a Austrália como "noticeably absent" antes da COP (p. 13), enquanto IDDRI é mais generosa, vendo Türkiye como "North-South bridge-builder" e a Austrália garantindo a voz do Pacífico (Germanwatch PDF; IDDRI). Carbon Brief acrescenta a informação operacional mais relevante para quem navega a COP: a presidência australiana está "intending" a buscar um "cover text" que possa capturar metas como a eletrificação (Carbon Brief).
No Sul, o enquadramento é idêntico mas com outro sujeito: entrega pelos desenvolvidos. O presidente do AGN, Antwi-Boasiako Amoah, disse em Nairóbi que "Antalya (Turkey) must be about delivery, not another cycle of promises" e que a África "was not asking for charity" (Ghana News Agency). O PICAN, já em Antalya em 6 de novembro, afirma que "We cannot afford a COP that lowers ambition when the science demands greater urgency" (PICAN). Entre os analistas chineses, Kate Logan (ASPI) prevê que "China's top priority at COP31 will be upholding multilateralism" e que Pequim ficará "happy to let other developing countries push this agenda while serving as a broker in the end game" em finanças (Carbon Brief); o vice-ministro Li Gao pediu que a COP31 "facilitate in-depth discussions on a roadmap for developed countries to deliver the $300 billion climate finance goal by 2035" (Global Times). A Índia (Bhupender Yadav, 3 nov) quer o GST "Party-driven, facilitative and non-punitive" (News On AIR) — sinal de que qualquer cover decision que compare NDCs a trajetórias de 1,5 °C sem linguagem de equidade será contestado.
A crise de Ormuz entrou em todas as análises como vento a favor da narrativa de eletrificação, não como desculpa para atraso. Germanwatch dá os números mais duros: cerca de 20% do comércio mundial de petróleo interrompido, "the most severe energy disruption since the 1970s" (p. 7), e a retirada dos EUA do Acordo de Paris deixou "a significant hole" no financiamento que os demais desenvolvidos "should not use this as an excuse to reduce ambition" (Germanwatch PDF). WRI nota que "the war on Iran has raised oil and gas prices" e que um possível Super El Niño pode empurrar 50 milhões de pessoas à fome aguda (WRI). Nenhum think tank do Norte modela quantitativamente o efeito da saída americana ou dos cortes de ODA sobre a trajetória dos US$ 300 bi, e o CSIS — o mais provável a tratar de EUA e Ormuz — não publicou nada sobre a COP31.
Eletrificação "35 by 35": a única divergência explícita é se precisa ser limpa
A meta da presidência — elevar a parcela da eletricidade na demanda final de energia para 35% em 2035 — é a iniciativa mais analisada e a que gera a única discordância aberta entre instituições. Nick Wayth (WRI) afirma que "clean power should not be a prerequisite to increasing electrification"; o WRI pede que os países assinem a promessa e publiquem roadmaps cobrindo oferta, demanda, redes, armazenamento e tarifas, lembrando que as economias emergentes receberam só 15% do investimento global em energia limpa em 2024 (WRI). Do outro lado, Germanwatch exige "anchor '35 by 35' in renewable energy" e a pesquisadora Kerstin Opfer escreve que "countries could increase electricity consumption while continuing to rely on fossil-fuel power" e que "The goal must be renewable-based electrification" (Germanwatch blog). O Climate Action Tracker (Climate Analytics + NewClimate, 2 nov) fornece a base técnica: políticas atuais levam a apenas 28% em 2035, a meta exige acelerar a eletrificação "almost four-fold", trajetórias compatíveis com Paris chegam a 34–41% em 2035 e 54–68% em 2050, e "35% should be seen as a floor for ambition rather than a ceiling"; Samuel Guéret adverte que "electrification only limits overshoot if the electricity is cleanly generated" e que "taken alone, countries could meet the target by simply adding electricity to the system" — por exemplo via data centers (CAT; briefing). A Greenpeace é a mais específica: a meta só vale com "scaling renewable power generation to at least 75% by 2035" (IEA NZE: 77%), saída do carvão nos desenvolvidos até 2030 e do gás até 2035, e rejeição de nuclear, CCS, biomassa e gás como "transition fuel" (Greenpeace briefing COP31; briefing eletrificação). O WBCSD, única coalizão empresarial com documento no período (30 out), quer "electrification outcomes included in the COP outcome" e um segmento de energia limpa na Cúpula de Líderes, mas não impõe condicionante de energia limpa (WBCSD). Yao Zhe (Greenpeace East Asia) prevê que a China "likely remains reluctant to link these targets to any commitments regarding transitioning away from fossil fuels" (Carbon Brief) — ou seja, a briga em Antalya será sobre se a linguagem de eletrificação carrega algum qualificador fóssil.
Quem cita a meta deve atenção à discrepância de linha de base. IDDRI e Germanwatch dizem "just over 20% today"; WRI, "23% today"; CAT e Carbon Brief, "almost 24% in 2023"; a IEA, no relatório especial de 22 de setembro, usa ~23% e calcula que explorar todo o potencial custo-competitivo atual levaria a ~33%, o que coloca os 35% acima do business as usual mas ao alcance (WRI sobre IEA). A IEA estima que a meta exige crescimento da demanda de ~1.400 TWh/ano (quase o dobro da média da década), redes expandindo 40% mais rápido, armazenamento em baterias multiplicado por dez até ~2.900 GW, e que importadores poderiam economizar ~US$ 400 bi/ano em combustíveis (Down to Earth). O presidente Kurum sustenta que "The level was not chosen politically" e que renováveis e eletrificação são "the surest and cleanest way to protect citizens around the world from high and volatile energy prices" (Carbon Brief).
Os analistas turcos aceitam o enquadramento e usam a COP para forçar uma decisão doméstica sobre carvão, enquanto as ONGs internacionais atacam o desenho da meta. Ümit Şahin (IPC/Sabancı) sustenta que "a complete coal phase-out by 2036 appears technically and economically feasible" (Daily Sabah); a İklim Ağı espera que a "COP31 [will] be the one where Türkiye decides to phase out coal" (Daily Sabah); a Ember calcula que Türkiye poderia eletrificar 85% do uso final de energia com tecnologias existentes (Anadolu). Mas o CAT classifica Türkiye como "Critically insufficient", com eletrificação estável em ~21% desde 2013 e projeção oficial de só 25% em 2035 — abaixo da meta que o próprio país propõe ao mundo — e registra que em 2024 Türkiye ultrapassou a Alemanha como maior gerador a carvão da Europa (CAT). A Urgewald lista expansões de carvão planejadas de 688 MW (Afşin-Elbistan A) e 1.050 MW (Cenal, Çanakkale) e >€2,4 bi/ano em subsídios; Heffa Schücking: "Electrification without phasing out coal is like showering with polluted water" (Eco-Business). Claire Smith (Beyond Fossil Fuels): "Let's not let electrification become the Trojan horse of our times" (Euronews). Germanwatch é a única a conectar eletrificação a circularidade de materiais críticos e a propor usar o GST de 2028 para fixar metas pós-2035 (Germanwatch blog).
Finanças: a briga é pela agenda (artigo 9.1, adaptação) e pela leitura dos números da OCDE
Nenhuma instituição espera avanço financeiro substantivo. IDDRI classifica um breakthrough como "highly unlikely" e chama a Access to Finance Declaration da presidência australiana de "lacking teeth" (IDDRI). Germanwatch diz que o NCQG ainda não tem plano de implementação, que o Baku-to-Belém Roadmap tem "little political traction" e "assigns neither responsibility nor accountability measures", e que o Diálogo Veredas (art. 2.1c) produziu "an exchange of positions without measurable progress" (pp. 22–24); por isso "expects an agenda fight unless Presidencies engage" sobre o programa de trabalho de finanças, e pede que o SCF desagregue provisão (9.1) de mobilização (9.3) e defina "new and additional" (Germanwatch PDF). Essa leitura contrasta com a de WRI, que espera neutramente que as presidências da COP29 e COP30 tragam "more detail" sobre o roadmap e um sistema de monitoramento em Antalya (WRI). A Política por Inteiro (análise de janeiro) já notava que o roadmap foi apenas "taken note of" no parágrafo 47 do Mutirão, que negociadores "had often not read it, and no Party championed it" e que a relação com o relatório do Círculo de Ministros de Finanças "was unclear" (Política por Inteiro). Os Xingu Finance Talks em Bangkok (11 e 13 out) tiveram presença "skewed toward civil society and a few MDBs, with fewer Parties than expected", e nenhuma fonte confirma a publicação do primeiro relatório do grupo de especialistas prometido para outubro (Down to Earth).
A novidade substantiva de outubro é a carta de Gana, presidindo o AGN, a Simon Stiell pedindo três itens adicionais de agenda: triplicação do financiamento de adaptação, comércio e mudança do clima, e arranjos de financiamento do GCF (sem avaliação de necessidades desde a COP19); Amoah escreve que "a dedicated item is needed" e que o acordo de Belém "omitted the baseline year, a headline amount, who should pay, and how delivery would work" (Climate Home News). Aqui aparece a primeira fissura Sul–Sul: Raju Pandit Chhetri, negociador-chefe de finanças dos LDCs, considera difícil obter um item autônomo e chama adaptação de "a homeless issue" que precisa ser discutida em algum lugar formal; nenhum outro grupo havia endossado a proposta africana até 28 de outubro, e Mattias Söderberg (DanChurchAid) prevê que ela "may lead to an agenda fight" (Climate Home News). A Declaração Ministerial de Díli dos LDCs (3 set) pede "at least USD 120 billion well in advance of 2035" e um programa de finanças focado "especially article 9.1" (tralac). O ano do alvo de US$ 120 bi é contestado até dentro das mesmas organizações: o briefing da Greenpeace usa "$120 billion by 2030"; seu release de 4 de novembro, "at least USD 120 billion a year by 2035" (Greenpeace). A Política por Inteiro lê a base do parágrafo 53 como 2025 (~US$ 40 bi), o que faz a triplicação em 2035 valer ~US$ 120 bi, "less than half of the US$300 billion NCQG goal" (Política por Inteiro). Germanwatch argumenta que a triplicação precisa de "a trajectory, timeline, baseline, and accountability framework" e é alcançável "even if the overall climate finance does not increase" (p. 19). Uma segunda fissura: segundo Carbon Brief, os pequenos Estados insulares se alinham aos desenvolvidos a favor de um foco mais amplo (acesso, base de doadores) contra a insistência G77/LMDC no 9.1 (Carbon Brief).
Os dados que ambos os lados levarão à sala estão na tabela abaixo. A disputa não é sobre os números, mas sobre o que medem: os desenvolvidos citarão a OCDE (terceiro ano acima de US$ 100 bi) e os bancos multilaterais ("on track" para 2030); os em desenvolvimento, a parcela de empréstimos, os 7% para países de baixa renda e o desconto de valor real da Oxfam. Sehr Raheja (CSE) sobre o atraso de dois anos dos dados da OCDE: "It undermines trust. A two-year delay is significant" (Down to Earth).
O debate sobre custo de capital e dívida migrou para o G20, FMI e Banco Mundial e deve ser apenas "notado" em Antalya. Em Bangkok, a Iniciativa Bridgetown resumiu que os países "cannot swap [their] way to survival" (um swap com garantia de 60% rendeu 6% de juros; 80% teria dado 4,5%), e Rishikesh Ram Bhandary (BU GDP Center) disse que os instrumentos em discussão são "not designed to unlock meaningful fiscal space over the long-term" (Down to Earth). A Greenpeace e a Amnesty convergem na tributação de poluidores como fonte: a Greenpeace pede um workstream no programa de finanças sobre "progressive environmental taxation at national, regional and global levels" via a Convenção da ONU sobre tributação (Greenpeace); a Loss and Damage Collaboration afirma que os desenvolvidos poderiam mobilizar "6.6 trillion USD annually" (L&DC). Comércio é a terceira frente: Malásia coloca CBAM como prioridade ("you cannot use climate change as a trade barrier") e registra queda dos repasses do GEF de US$ 36 mi para US$ 13 mi (The Star); o AGN e a Rússia aventaram uma trilha negociadora formal e a China "has signalled it wants COP31 to address trade 'protectionism'" (Climate Home News); IDDRI prevê que o CBAM "feature prominently" e que comércio será "one of the more contentious issues" (IDDRI). Sobre o artigo 6, o único item vivo é a parcela de 5% dos proventos do 6.4 para o Adaptation Fund, que Germanwatch vê como "a predictable revenue base" (Germanwatch PDF).
Mecanismo de Transição Justa: órgão da CMA ou rede facilitadora, com ou sem condicionante fóssil
O JTM (Belém–Antalya Mechanism, "BAM") é o item em que a sociedade civil mais claramente define um "ambitious outcome", e as posições dos blocos mapeadas em Bonn mostram por que será difícil. Anabella Rosemberg (CAN International) define o resultado ambicioso como estabelecer as funções e modalidades em Antalya "with a transitional committee to make it fully operational by COP32 in Ethiopia in 2027", mais uma "resource mobilisation taskforce" (Climate Home News). Germanwatch cobra governança clara, capacidade dedicada e financiamento dos países ricos, e nota que o mapeamento de iniciativas mandatado em Belém está incompleto (pp. 15–17); WRI sugere "a just transition technical support hub"; Wuppertal registra que os desenvolvidos relutam em apoio financeiro concreto (Germanwatch PDF; WRI; Wuppertal). A Amnesty pede "Fund and make accountable the Just Transition Mechanism" com povos indígenas e trabalhadores nas decisões (Amnesty).
O desenho institucional divide o Sul em três campos. O Grupo Africano quer "a fully constituted CMA body" modelado no SCF, que chamou de "non-negotiable", rejeita uma plataforma de diálogo e quer o financiamento avaliado por "additionality, grant-equivalence, non-debt creating"; o LMDC (via Arábia Saudita) quer uma "facilitative, demand-driven cooperation network" que não crie "new standards, benchmarks, or reporting obligations"; a AOSIS defende um braço técnico de especialistas; a AILAC quer o mecanismo sob a CMA como venue principal; a Índia "cannot accept any renegotiation" do mapeamento como pré-condição (TWN Bonn Update No. 5). O segundo eixo é o escopo: países ricos preferem foco estreito em fósseis, os em desenvolvimento um escopo "whole of economy, whole of society" com industrialização verde, e o LMDC e o Grupo Árabe querem evitar "targets, requirements, or conditionalities on transitioning away from fossil fuels (TAFF)" enquanto "some Latin American and small island states" querem que o JTM avance a TAFF e a triplicação de renováveis; a UE rejeita usar o mecanismo para disputar o CBAM (Climate Home News). A inferência é que a briga em Antalya será sobre peso institucional (órgão vs. rede) mais do que sobre um fundo, cuja criação o Reino Unido já disse não ter mandato.
Os sindicatos não têm documento próprio no período (nada da ITUC em outubro–novembro), mas a frente sindical africana é a mais articulada: AGN e sindicatos (ITUC-Africa, IndustriALL, NLC, Ghana TUC) acordaram em Acra um grupo de ligação antes da COP31 e uma posição comum rejeitando empréstimos como contribuição climática, exigindo processamento local de lítio e cobalto, opondo-se ao CBAM e vinculando normas da OIT ao financiamento; Paule-France Ndessomin (IndustriALL): "For African trade unions, the just energy transition is a fight against new green extractivism" (Ghana News Agency). Na África do Sul, Maesela Kekana admite: "On adaptation, we don't really know where we are" (Daily Maverick). Sobre o programa de trabalho de mitigação, Germanwatch quer sua continuidade "without making its continuation contingent" em disputas de finanças ou fósseis (p. 17), e os LDCs pedem um mandato permanente e fortalecido (tralac); Carbon Brief registra que o item foi empurrado para a COP31 pela regra 16 sem texto acordado (Carbon Brief).
Perdas e danos: US$ 486 milhões em caixa contra US$ 2,8 bilhões em pedidos
O fundo de perdas e danos chega a Antalya com a lacuna "prometido versus necessário" mais quantificada da agenda. O relatório do Conselho do FRLD à COP31/CMA8 registra promessas de US$ 822,71 mi até 31 de julho de 2026, US$ 485,97 mi recebidos, envelope aprovável das Barbados Implementation Modalities elevado para US$ 342 mi, 176 pedidos conformes de 119 países somando US$ 2,8 bi, LDCs e SIDS com 60,8% do valor pedido e nenhuma aprovação ainda — um "initial starter package" vai à reunião B.10 em dezembro (UNFCCC FCCC/CP/2026/7). Os números circulam em versões diferentes que convém distinguir: "disponível" aparece como US$ 342 mi ou US$ 350 mi; "prometido", como US$ 822 mi ou "less than US$1 billion"; "recebido", "less than US$500 million" (Greenpeace). O caso do Nepal virou o teste da função de resposta rápida: a primeira reunião extraordinária do Conselho, em 22 de outubro, votou reservar provisoriamente US$ 20 mi para a recuperação do colapso glacial de agosto (1.455 mortos; necessidades de ~US$ 4,7 bi), 45 dias depois do pedido dos membros em desenvolvimento; autoridades nepalesas chamaram a cifra de "symbolic", o Banco Mundial ofereceu um empréstimo adicional de US$ 170 mi 28 dias após o desastre, e o Nepal contraiu mais de US$ 6 em empréstimos por US$ 1 em doações na última década (Climate Home News; Kathmandu Post/ANN). A Fill the Fund resume o pedido para a COP: "Speed must be built in, not improvised" (Climate Home News).
As demandas convergem em um item permanente de agenda sobre perdas e danos (Greenpeace; Germanwatch, que o liga à implementação do artigo 8) e em reposição via taxas sobre poluidores, mas só Germanwatch põe um número: US$ 50 bi anuais na reposição de 2027, subindo para ~US$ 400 bi em 2035, contra necessidades de US$ 447–894 bi/ano em 2030, e registra que a Alemanha está "rather hesitant" (pp. 20–21) (Germanwatch PDF). A L&DC, CAN e Fill the Fund não publicaram meta numérica de reposição em outubro–novembro. O PICAN acrescenta uma demanda qualitativa que vai além do dinheiro: "recognition that some losses cannot be monetised", e os pedidos pacíficos incluem reparações por perdas não econômicas e rejeição de CCS e geoengenharia (PICAN; PINA).
GST2, IPCC e os mapas do caminho do Brasil: o gancho procedimental é o prêmio possível
A zona de pouso convergente entre IDDRI, Carbon Brief/IISD e Germanwatch para a transição fóssil é procedimental: não uma nova meta TAFF negociada, mas um gancho na COP31 que encaminhe o roadmap global e os roadmaps nacionais como insumos do GST2. Germanwatch avisa que reabrir a negociação formal da TAFF arrisca "another divisive debate" e prefere a Action Agenda e os roadmaps nacionais de Santa Marta (p. 14), ao mesmo tempo em que exige: "Brazil must deliver a roadmap to halt and reverse deforestation by 2030" (p. 13) (Germanwatch PDF). IDDRI (Van Rossum e Torres Gunfaus, 5 nov) descreve o roadmap da presidência da COP30 — publicado em 3 de novembro, baseado em 268 submissões, com três dimensões, um índice "Belém Readiness Approach" e proposta de um "TAFF Mutirão" até 2033 — como "a useful contribution", cujo principal risco é impacto limitado "in the absence of a follow-up process agreed at COP31" (IDDRI). O issue brief do IDDRI é a contribuição mais operacional: propõe seis dimensões para as submissões nacionais ao GST2 (restrições técnicas, financiamento, dependência macrofiscal, emprego, governança, participação), empacotáveis em roadmaps nacionais ou LT-LEDS, e afirma que "The COP30 Presidency Global TAFF Roadmap provides a valuable basis for organizing this evidence" (IDDRI brief). Carbon Brief (Daisy Dunne) registra a recomendação do próprio roadmap de que "COP31 should formally recognise the global roadmap and create a route for its findings to inform the second global stocktake", a divisão 85 a favor vs. 84 contra a referência em Belém (lista de opositores inconsistente), e a observação de que alguns países veem o foco em eletrificação como forma de evitar reabrir os debates da COP30 (Carbon Brief). A Greenpeace Brasil (Carolina Pasquali) chamou o roadmap de "a crucial step" mas que "stops short of setting clear fossil fuel phase-out targets" (Greenpeace). O Pacífico fixa a linha vermelha oposta à do LMDC: a linguagem da COP28 "should not be reopened" (The Diplomatic Insight), enquanto o Golfo aposta na "realidad de doble vía" e o ministro saudita chamou o cenário net zero de "un la la land" (EFE/Revista Mercado). No lado brasileiro, Marina Silva enquadrou os mapas como "Não é impositivo, mas é um caminho que nós não podemos deixar por menos" (O Liberal/Estadão); nenhum think tank brasileiro publicou análise datada de outubro–novembro sobre o roadmap ou a COP31.
O GST2 começa em Antalya com pouca atenção política e um problema de insumo científico. IDDRI nota que a fase de coleta de informações "has received little political attention" e que as evidências devem chegar antes de junho de 2027 (IDDRI). O IPCC-65 (Adis Abeba, 12–16 out) foi a sexta sessão consecutiva a falhar no cronograma do AR7 e também não aprovou o orçamento 2026–27; Jim Skea suspendeu a reunião chamando-a de "profound disappointment"; Índia, Quênia, Rússia e Arábia Saudita querem publicação mais tardia (opção Índia/Arábia: WG2 em abril de 2029, WG3 em julho de 2029), a China se opõe a mais de três plenárias por ano e diz que os relatórios não precisam estar ligados ao stocktake, e o fundo fiduciário estará "depleted by the end of 2028" nos níveis atuais de contribuição, com os EUA sem contribuir desde 2024 (Carbon Brief). Os LDCs pedem "all three IPCC AR7 Working Group reports completed in 2028" (tralac); Germanwatch, que "political disagreement must not undermine the scientific process" (p. 9). Nenhum documento propõe texto de decisão específico para a COP31 sobre o vínculo IPCC–GST2, e a sessão extraordinária de dezembro não foi confirmada. A coalizão bloqueadora (Arábia Saudita, Índia, Rússia, China) é a mesma dos debates de finanças e mitigação, o que sugere linkage em Antalya. No pano de fundo científico, o Emissions Gap Report 2026 estima emissões de ~58,4 GtCO2e em 2025, planas, com cortes necessários de 18% até 2030 e 45% até 2035 para a trajetória de menor overshoot, enquanto as NDCs entregam 5–8% e 11–15% (Vajiram & Ravi); o relatório "Limiting Overshoot" da UNEP já tratava o excedente de 1,5 °C como "now unavoidable" (IUCN). Germanwatch traduz isso em critério: manter qualquer overshoot "short and shallow" (Germanwatch).
Em adaptação, o enquadramento mais novo é o de Germanwatch: a adaptação deve ser "a key political deliverable on a par with mitigation" (p. 19), com mandato pragmático de taskforce acordado cedo, indicadores desagregados e preparação para Adis Abeba (Germanwatch PDF). Carbon Brief lembra que os 59 indicadores do GGA precisam ser refinados até a COP32 e que em Bonn a referência à triplicação ficou entre colchetes, com Canadá, Noruega e Japão contra, e uma disputa entre taskforce "expert-driven" (Brasil, UE) e "party-driven" (Grupo Sur, LMDC, Grupo Árabe) (Carbon Brief Bonn). WRI propõe "common resilience metrics" e investimento de seguradoras e bancos em resiliência (WRI).
Action Agenda, patrocínio e espaço cívico: credibilidade do anfitrião como linha vermelha
Sobre as iniciativas da presidência, a crítica dominante é de accountability. Germanwatch exige da Action Agenda "clear responsibilities and timelines, continuity across Presidencies, and regular public monitoring" para evitar greenwashing e pede clareza no mandato do Acelerador de Industrialização Verde (pp. 12, 17) (Germanwatch PDF). O WBCSD oferece o desenho institucional mais detalhado: um "Action Agenda delivery package", acesso à Blue Zone vinculado a relato de progresso, e um segmento da Action Agenda no plenário de encerramento com "Axis Pairs" reportando progresso agregado (WBCSD). O Climate Implementation Bridge — proposta da presidência para transformar NDCs em "investable project portfolio" e corrigir pipelines fragmentados — recebe apenas descrições de uma linha (Carbon Brief, UNU-EHS, Down to Earth sobre Bangkok); nenhum think tank o avaliou e Germanwatch nem o menciona (Carbon Brief; UNU-EHS). Esta é uma lacuna relevante para quem acompanha o desenho da iniciativa.
A credibilidade do anfitrião é a linha vermelha específica da sociedade civil, e os números são novos. A Global Witness (19 out, dados Rystad) mostra que a produção de gás da TPAO deve quase triplicar de 8,2 para 22 bcm até 2035, que a empresa planeja mais de 1,1 bilhão de barris de ativos não desenvolvidos até 2050, com ao menos 11 acordos com BP, Shell e Chevron desde a candidatura à COP, e que a Woodside dobrará o GNL até 2032 e a Santos multiplicará por oito a produção de petróleo até 2035 (Global Witness). A Koç Holding, "Global Business Partner" da COP31, reduziu em 2025 suas metas de 2030 de 27% para 20% abaixo de 2017 e a Tüpraş cortou a de 2035 de 35% para 25%, com Scope 3 (~97% da pegada) sem meta; Pascoe Sabido (Corporate Europe Observatory): a verificação de "climate integrity" do acordo de sede "doesn't appear to be worth the paper it's written on" (Climate Home News). Não há carta conjunta sobre o patrocínio — a crítica é carregada por organizações individuais e mídia investigativa, não por uma ação coordenada tipo "Kick Big Polluters Out".
Sobre espaço cívico, as redes adotam postura de vigilância documentada, não de boicote. A Amnesty registra mais de 100 detidos na operação de setembro contra organizações LGBTI+, mais de 1.000 contas bloqueadas (incluindo a da Amnesty Türkiye) e a tomada de um canal de TV de oposição em outubro, e fecha: "No puede haber justicia climática si no hay libertad para exigirla" (Amnesty). A AFP registra 4.412 detenções antes da cúpula da OTAN em julho; Özlem Katışöz (CAN Turkey): "We are not expecting the government to treat COP like Nato", e Bengisu Özenç (SEFiA) diz que a influência da sociedade civil turca tem sido "quite limited" por falta de processo formal de consulta (Malay Mail/AFP). A Peoples' Climate Summit (Halkların İklim Zirvesi) tem "over 300 organisations from 100 countries" comprometidas e marcha em 14 de novembro, mas as datas variam entre fontes (a partir de 9 de novembro segundo a AFP; 14–18 segundo a bianet) (bianet). A carta mais ampla à presidência continua sendo a de 94 organizações turcas e australianas de junho, em Bonn, pedindo que Kurum e Bowen atuem como "honest broker" e operacionalizem o JTM com financiamento e prazos (Greenpeace Australia Pacific).
Lacunas na análise disponível
A tabela registra as instituições para as quais nenhuma publicação sobre a COP31 datada de outubro–novembro de 2026 foi encontrada, ou cujo conteúdo não pôde ser acessado, para que o leitor saiba o que falta no quadro acima. Nota (6 nov, tarde): uma segunda varredura localizou material de outubro–novembro para a maioria destas instituições; a tabela fica como registro da primeira passagem e o que foi encontrado está na seção "Atualização de 6 de novembro", ao fim deste documento.
Além das instituições ausentes, três temas carecem de análise: ninguém avaliou o Climate Implementation Bridge além de descrições de uma linha; ninguém quantificou a parcela de renováveis necessária junto ao "35 by 35" fora do piso da Greenpeace; e nenhum think tank modelou o efeito da saída americana e dos cortes de ODA sobre a trajetória dos US$ 300 bi para a COP31 especificamente.
Conclusão
O que emerge das notas não é um debate sobre ambição, mas sobre arquitetura: cada trilha em Antalya tem uma disputa de forma institucional embutida — órgão vs. rede no JTM, item de agenda vs. "homeless issue" em adaptação, meta ancorada em texto vs. Action Agenda em eletrificação, gancho procedimental vs. nova meta na TAFF, e três opções de calendário no IPCC. Para quem navega a COP, isso significa que as vitórias e derrotas serão lidas em parágrafos de procedimento (um comitê transitório, uma referência ao roadmap no texto do GST2, um mandato de taskforce, uma reunião extraordinária do IPCC), e que o cover text australiano é o único lugar em que a eletrificação pode ganhar um qualificador fóssil — a questão em que o WRI, sozinho entre as instituições, prefere não insistir.
A segunda implicação é sobre quem fala. O Norte analítico está mobilizado e detalhado (Germanwatch, IDDRI, CAT, Greenpeace), o Sul institucional fala principalmente por negociadores e pela imprensa, e a voz analítica brasileira está ausente no momento em que o Brasil entrega seus dois mapas do caminho e passa a presidência. Isso abre espaço — e cria risco — para que a interpretação dos roadmaps em Antalya seja feita por IDDRI e Carbon Brief, não por quem os conhece por dentro.
Atualização de 6 de novembro: o que as redes e think tanks que faltavam acrescentam
Uma segunda varredura cobriu as instituições sem material localizado na primeira passagem (CAN, ITUC, WWF, Oxfam, DCJ, 350.org, Oil Change, NRDC, L&D Collaboration, Observatório do Clima, Política por Inteiro, ECCO, ENB, Power Shift Africa, CEEW, CSE, NewClimate, CSIS, ICC, WMB, Eurodad, V20/CVF, Grupo Árabe, UNEP). Quase todas publicaram entre 29 de outubro e 6 de novembro. O que muda na leitura, trilha por trilha:
- Finanças e Art. 9.1. A briga de agenda na plenária de abertura virou consenso de leitura (Eurodad, ENB, AGN, Grupo Árabe, CSE). A submissão do Grupo Árabe pede o lançamento do programa de trabalho do 9.1 "at COP31/CMA8", com item de agenda até a CMA10 e "without shifting the financial burden to developing countries"; o Conselho da UE (9 out) responde que "broadening the base of contributors is a necessity". Kurum, no preview da UNFCCC (5 nov), ficou do lado do Sul: "We do not need new targets. We need to deliver on the ones we have, with developed countries taking the lead."
- Adaptação. Formou-se um piso numérico da sociedade civil para a triplicação: pelo menos US$ 120 bi/ano "well before 2035" (CAN-I, Oxfam, NRDC, CSE, AGN), com base nos níveis de 2025; a WWF lê a meta como "6x 2019". O Adaptation Gap Report 2026 (necessidade de US$ 305 bi/ano até 2035; fluxos de ~US$ 30 bi em 2024) é a cifra que todos citam; CAN e Germanwatch cobram que a triplicação ganhe trajetória, base e fontes em vez de ficar "estacionada" na sala de finanças. O boletim da Força-Tarefa Adaptação (Talanoa/CANLA, 4 nov) detalha o impasse na composição da taskforce dos indicadores de Belém.
- Mitigação, MWP e TAFF. O roteiro TAFF foi lançado em 3 de novembro (confirmado por OC, Política por Inteiro, 350.org e CEEW). Sobre o Mitigation Work Programme, que vence nesta COP (ENB), há três posições: extensão até 2030 (CAN-I, UE), continuidade só se "significantly strengthened" (WWF) e mandato facilitador "nationally determined" (presidência). A CEEW nota que Santa Marta (57 países) não inclui China nem Índia.
- Eletrificação 35 por 35. O qualificador "limpa/renovável" é o campo de batalha: UE (Carbon Pulse, 3 nov), CAN-I, Oil Change, DCJ, CVF ("must be linked to renewable energy generation"), NewClimate/CAT ("35% should be seen as a floor"; políticas atuais dão 28% em 2035) e CEEW (diferenciação; Índia perto de 27%) de um lado; ICC e We Mean Business priorizam "implementation capacity" em vez de meta — a WMB (3 nov, lida na íntegra) pede que a presidência faça do "electrification implementation gap" o teste da COP, com declaração de mais de 180 empresas (US$ 1,69 tri de receita) e o dado de que 69% dos executivos dizem eletrificar mais rápido do que seus governos se preparam; Mendiluce: "Electrification has momentum, but implementation is lagging." DCJ e o Grupo Árabe rejeitam "parachuting" a meta na decisão de cobertura, o que torna a migração da Agenda de Ação para o texto negociado (prevista pela CSE) mais contestada.
- Transição justa e BAM. Frente mais unida da sociedade civil: ITUC ("the big win that UNFCCC climate policy urgently needs", com papel de liderança para a OIT), CAN-I, CAN Europe (modalidades e calendário de trabalho para 2027), DCJ (operacional até a COP32), CEEW e WWF pedem estrutura, governança e mobilização de recursos em Antalya. O setor privado (ICC, WMB) é silencioso sobre o mecanismo. Just Transition Pavilion (ITUC, OIT, DG EMPL, IOE) funciona de 9 a 20 de novembro.
- Perdas e danos. O Nepal é o teste do FRLD: US$ 21,6 mi reservados na reunião extraordinária de 22 de outubro (NRDC, 350.org), contra reconstrução estimada em US$ 4–5 bi (Chatham House); promessas acima de US$ 800 mi, primeira reposição em 2027, fundo que "could run dry by 2027" (350.org). O V20 pede um "rules-based assessment framework" para contribuições; a L&D Collaboration publicou mensagens-chave (2 nov) e manterá "Daily Policy Updates" durante a COP.
- Ciência e overshoot. O Emissions Gap Report 2026 ("The point of return", 21 out) fixa o enquadramento: a chance de 1,5 °C sem overshoot "is now gone"; cortes de 18%, 45% e 69% em 2030, 2035 e 2040 (vs 2025); 2,8 °C com políticas atuais. Kurum já incorporou o overshoot ao discurso oficial; o CVF "refuses to meekly accept" e planeja cúpula própria; DCJ rejeita CDR e geoengenharia como resposta. Após o fracasso do IPCC-65, uma sessão extraordinária em dezembro é o que decide se o AR7 chega a tempo do GST2.
- Comércio e CBAM. Ganhou concretude: CEEW propõe comitê técnico permanente com mandato na SB66 (exportações indianas de alumínio à UE caíram ~42%); o AGN tabulou pedido de item de agenda; ICC pede "full interoperability in carbon border measures"; o Grupo Árabe cita o balanço "US$ 141 bi versus US$ 161 bi" de ganhos e perdas.
- Decisão de cobertura. ENB, Carbon Pulse ("gavel fights") e Stiell ("no big-ticket outcomes", julho) reforçam a expectativa de texto autorado pelas presidências; a disputa é se eletrificação e BRIDGE entram nele e com que qualificadores.
Documentos-chave de 29 de outubro a 6 de novembro: CAN International, posição para a COP31 (5 nov); CAN Europe, o que observar (5 nov); ITUC, demandas para a COP31 (8 out); WWF, expectations paper (out, v2); Oxfam na COP31; 350.org, media brief (5 nov); Oil Change, phaseout "full, fair, funded" (5 nov); NRDC, cinco coisas a observar em finanças (30 out); L&D Collaboration, mensagens-chave (2 nov); Observatório do Clima, nota sobre o roteiro TAFF (3 nov); Política por Inteiro, boletim da Força-Tarefa Adaptação (4 nov); ECCO na COP31; ENB, curtain raiser (4 nov); Power Shift Africa, prioridades da África (4 nov); CEEW, release e estudos (4 nov); CSE, deck pré-COP (3 nov); NewClimate/CAT, 35 por 35 "from symbol to substance" (2 nov); ICC, carta aos ministros (2 nov); Eurodad, de Bangkok a Antalya (5 nov); V20, 17º comunicado ministerial (12 out); Grupo Árabe, submissão sobre o Art. 9.1; UNEP, Emissions Gap Report 2026; UNFCCC, preview com Stiell, Kurum e Bowen (5 nov); Chatham House, podcast "The road to Antalya" (23 out).
Fontes diárias durante a COP: cobertura do ENB (página da conferência); ECO e Fossil of the Day (CAN); Daily Policy Updates da L&D Collaboration; rastreador de textos do Carbon Brief; Climate Funds Pledge Tracker da NRDC; Central da COP do Observatório do Clima; newsletter "Buongiorno COP" da ECCO; atualizações diárias para observadores da UNFCCC; TWN Update. Nota de confiabilidade: as citações de ITUC e We Mean Business vieram de resultados de busca, não dos documentos; a data da submissão do Grupo Árabe não consta do PDF. As cartas da presidência foram conferidas em cop31.tr/letters em 6 de novembro: são três (13 de abril; 20 de maio, conjunta com Bowen, em Copenhague; 28 de agosto), mais a nota da Belém Mission to 1.5 (1º de janeiro); não existe "quarta carta", e os números da terceira coincidem com a cópia oficial na UNFCCC.